Ontem à tarde, a reportagem percorreu sete lojas da região central de São Paulo especializadas no comércio de peças e equipamentos para motociclistas.
Em todas elas, a recomendação dos vendedores foi a mesma: compre um capacete mais barato, retire o selo dele e cole em outro capacete. Um vendedor da Rua Barão de Campinas se dispôs a fazer o serviço por R$55, valor de um modelo cor-de-rosa, o mais barato à venda na loja.
O procedimento, segundo ele, é muito simples: “O rapaz pega esse capacete que você comprou e, com um secador de cabelo, aquece o selo até que a cola amoleça. Depois, é só colar no seu capacete eestá pronto. Nenhum policial vai poder te multar.”
A fraude, porém, exige alguns “cuidados”. Os selos expedidos nos últimos meses pelo Inmetro possuem itens de segurança,como cortes transversais que dificultam a remoção. “O mais aconselhável é que você compre capacetes revestidos de couro e com pintura fosca”, recomendou a vendedora de uma galeriana Rua Barão de Limeira. “A cola não segura direito nesses materiais, fica ‘facinho’ tirar o selo.”
O mercado clandestino de adesivos do Inmetro é a única opção para quem perdeu, não possui ou por algum motivo retirou o selo de seu capacete. “Esse selo foi criado para dar segurança ao cliente no momento da compra, para certificar aqualidade daquilo que ele está levando para casa. Após a aquisição do produto, não faz o menor sentido exigir que a pessoa mantenha o selo colado nocapacete”, admite o diretor do Inmetro.
Desde que a resolução entrou em vigor, diz Lobo, centenas de motociclistas têm procurado os Departamentos Estaduais de Trânsito (Detrans) na tentativa de regularizar seus capacetes.
“Simplesmente não tem o que fazer”, reconhece Lobo. “Temos orientado as autoridades de trânsito a consultar, no nosso site, a relação de modelos certificados, antes de autuarem os motociclistas, mas não há como garantir que isso será feito.”
O diretor afirma ainda que, antes da aprovação da resolução 203, em setembro de 2007, técnicos do Inmetro que atuam nas câmaras temáticas do Contran em Brasília desaconselharam a obrigatoriedade do adesivo. “Houve um erro na origem do texto e, sem querer, o Contran acabou estimulando o comércio clandestino de adesivos.”
O diretor em exercício do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), Orlando Moreira da Silva, foi surpreendido pela notícia. “Vou aguardar o contato do Inmetro e estudar o que fazer”, afirmou Silva. Segundo o diretor em exercício, o selo é uma garantia de que o produto tem qualidade. “ E só por isso foi incorporado à resolução.”
Fonte:
http://www.zap.com.br/carros/dicas-materias-veiculos/noticias/Default.aspx?mat=4319